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Estudo propõe avanços na rastreabilidade ambiental da soja e da carne
Terça, 28 de Julho de 2026 às 16:55
Pesquisa do WRI Brasil aponta recomendações para fortalecer o monitoramento socioambiental das cadeias da soja e da carne bovina no Brasil.
O Brasil já possui uma capacidade avançada de monitorar as cadeias produtivas da soja e da carne bovina, mas ainda precisa avançar na integração dos instrumentos disponíveis. Essa é uma das principais conclusões do estudo Rastreando a Responsabilidade: fortalecendo o monitoramento do desmatamento nas cadeias de suprimento de soja e carne bovina do Brasil, lançado nesta terça-feira (28) pela organização ambiental WRI Brasil.

A pesquisa analisou 21 iniciativas de monitoramento e rastreabilidade socioambiental, sendo dez voltadas à cadeia produtiva da soja e 11 relacionadas à produção de carne bovina. Os instrumentos avaliados apoiam o monitoramento e a verificação dos processos de produção nos biomas Amazônia e Cerrado.

Com base na comparação das iniciativas, os pesquisadores apresentaram dez recomendações para aprimorar os mecanismos de controle e orientar políticas públicas. Entre elas estão a adoção da propriedade rural como unidade de monitoramento, o uso de dados oficiais e cientificamente validados, a verificação do cumprimento do Código Florestal Brasileiro e da inexistência de violações relacionadas ao trabalho forçado, além da realização de auditorias independentes e da publicação de relatórios de transparência.

O estudo também recomenda a ampliação do monitoramento para todos os biomas, a adoção de critérios para evitar o desmatamento ilegal conforme o Marco Temporal de 2008, o compromisso com desmatamento zero após agosto de 2020, o acompanhamento de toda a cadeia de fornecedores, inclusive indiretos, mecanismos para reintegração de fornecedores regularizados e a criação de uma supervisão participativa e multissetorial.

Segundo a diretora do Programa de Florestas e Uso da Terra no WRI Brasil, Mariana Oliveira, o fortalecimento da rastreabilidade pode contribuir para um modelo de desenvolvimento territorial mais sustentável e ampliar a integração entre instituições financeiras, investidores e demais atores envolvidos nas cadeias produtivas.

O estudo destaca ainda a importância da cooperação entre o Brasil e grandes mercados compradores. A China, que importou do Brasil US$ 44,6 bilhões em soja e carne bovina em 2024, é apontada como um exemplo de parceiro que pode se beneficiar de protocolos estruturados de rastreabilidade. A integração das bases de dados e a harmonização dos critérios técnicos também podem aumentar a transparência e facilitar a avaliação de riscos socioambientais pelos países importadores.

Mariana Oliveira ressalta que sistemas eficientes de rastreabilidade vão além das exigências do mercado internacional, contribuindo para um modelo de desenvolvimento que promova benefícios socioeconômicos, geração de oportunidades, empregos, renda e qualidade de vida para produtores rurais.

 
Fonte: Agência Brasil | Foto: Pixabay/Meramente Ilustrativa
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