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Em 13 anos, casos de doenças inflamatórias intestinais aumentam cinco vezes no Brasil

Incidência de doenças inflamatórias intestinais passou de 30 para 158 casos por 100 mil habitantes.

27/09/2026 às 06h56
Por: Redação Fonte: Vitor Abdala - Repórter da Agência Brasil
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Foto: Nadzeya/ Adobe Stock
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O número de pessoas com doenças inflamatórias intestinais (DII) cresceu cinco vezes no Brasil entre 2012 e 2025. A incidência dessas enfermidades, entre elas a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, passou de 30 para 158 casos por 100 mil habitantes no período.

Os dados fazem parte de um estudo apresentado no 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, realizado em Balneário Camboriú (SC) até este sábado (26).

O levantamento foi elaborado por Abel Quaresma, da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), e Paulo Kotze, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), ambos membros da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP). O trabalho contou ainda com pesquisadores das universidades de Calgary, no Canadá, de São Paulo (USP) e Estadual de Campinas (Unicamp), entre outras instituições.

A partir de registros do Sistema Único de Saúde (SUS), os pesquisadores identificaram também um aumento no número de novos casos diagnosticados anualmente. O índice passou de 9,35 para 12,34 casos por 100 mil habitantes entre 2012 e 2025.

As doenças inflamatórias intestinais são enfermidades autoimunes, caracterizadas por um processo crônico de inflamação provocado quando o sistema imunológico passa a atacar as próprias células e tecidos do organismo.

Segundo Abel Quaresma, a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa são multifatoriais. De acordo com o pesquisador, fatores genéticos e ambientais estão relacionados ao desenvolvimento das enfermidades. Entre os fatores ambientais mencionados estão a poluição e os hábitos alimentares.

O pesquisador também destaca a mudança na alimentação e aponta os alimentos ultraprocessados e seus aditivos como fatores que podem contribuir para o desenvolvimento dessas doenças inflamatórias.

A pesquisa estima que o surgimento de novos casos possa chegar a 22,7 por 100 mil habitantes em 2035. Caso a projeção se confirme, a quantidade de pessoas com essas doenças poderá alcançar 264 casos por 100 mil habitantes naquele ano, índice 67% superior ao registrado em 2025.

De acordo com Quaresma, as doenças, que até por volta de 2015 eram consideradas raras, apresentam crescimento no Brasil e em outras partes do mundo. O pesquisador projeta que, a partir de 2040, elas possam se tornar um problema de saúde pública.

As doenças inflamatórias intestinais não têm cura, e o tratamento busca controlar o processo inflamatório e os sintomas. Segundo o especialista, o custo dos medicamentos pode chegar a R$ 500 mil por ano por paciente.

 

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