Quarta, 07 de Outubro de 2026
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Polícia Investigação

Laudo psiquiátrico aponta imputabilidade de mãe acusada pela morte das filhas gêmeas

Laudo conclui que acusada tinha capacidade de responder criminalmente pelos fatos.

07/10/2026 às 11h03
Por: Redação Fonte: Kassiane Michel, Vítor Rosa, g1 RS e RBS TV
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Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

Um laudo psiquiátrico judicial concluiu que Gisele Beatriz Dias, de 44 anos, tinha condições mentais de responder criminalmente pelos fatos relacionados à morte das filhas gêmeas Manuela e Antônia Pereira, ocorridas em outubro de 2024, em Igrejinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Gisele é ré por duplo feminicídio e permanece presa. O Ministério Público sustenta que as meninas, que tinham 6 anos, foram vítimas de sufocamento.

O documento, obtido pelo g1 e juntado ao processo em 1º de outubro, aponta que não foram identificados elementos técnico-psiquiátricos capazes de demonstrar que, na época dos fatos, eventual transtorno mental tivesse eliminado ou reduzido significativamente a capacidade da acusada de compreender o caráter ilícito de suas condutas.

O laudo registra ainda histórico de transtorno depressivo e abuso de medicamentos. A avaliação foi realizada por uma psiquiatra designada pelo Departamento de Perícias Judiciais do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.

Com a conclusão da perícia, Ministério Público e defesa terão prazo para se manifestar. A decisão sobre a imputabilidade cabe ao juiz. Caso ela seja reconhecida, o processo criminal, que estava suspenso para a realização do exame, deverá ser retomado e seguir para a preparação do julgamento pelo Tribunal do Júri de Igrejinha.

Gisele já havia sido pronunciada em 4 de julho de 2025. A decisão indicou a existência de prova da materialidade dos crimes e indícios suficientes de autoria para que a acusação fosse submetida ao Tribunal do Júri, sem representar uma condenação.

A defesa recorreu, e o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul determinou a realização do exame de insanidade mental. Em novembro de 2025, a Justiça instaurou o incidente e suspendeu o processo criminal até a conclusão da avaliação. O laudo do Departamento Médico Judiciário foi concluído em 25 de setembro de 2026.

A defesa afirma que Gisele nega a autoria dos fatos desde o início do processo. O advogado José Paulo Schneider declarou que o resultado da perícia atesta apenas a imputabilidade penal e não determina se a acusada cometeu ou não os crimes.

A data do julgamento pelo Tribunal do Júri ainda depende do cumprimento das próximas etapas processuais.

Relembre o caso

Manuela foi encontrada desacordada em casa, onde estava com a mãe, em 7 de outubro de 2024. Ela foi levada ao hospital, mas já chegou morta. Inicialmente, havia suspeita de infarto.

Oito dias depois, em 15 de outubro, Antônia foi encontrada desacordada em sua cama. O Corpo de Bombeiros atestou a morte no local. Após o segundo caso, Gisele foi presa.

As perícias realizadas nos corpos das duas meninas não identificaram veneno nos restos mortais, e o Instituto-Geral de Perícias não conseguiu determinar a causa das mortes. Foram analisadas mais de cem substâncias químicas, incluindo medicamentos sedativos, pesticidas e venenos.

O Ministério Público sustenta que as meninas foram vítimas de sufocamento.

 

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