
O El Niño de 2026 avança para um cenário de intensidade excepcional, segundo análise da MetSul Meteorologia. O aquecimento do Pacífico tropical é alimentado por uma combinação incomum de águas muito quentes abaixo da superfície e fortes ventos de Oeste. Em algumas áreas, as temperaturas da água chegam a estar mais de 10°C acima da média em profundidade.
Os dados mais recentes apontam que a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 alcançou 2,6°C pelo índice ONI, nível classificado como muito forte ou “Super El Niño”. O valor está próximo do recorde observado na era moderna e foi atingido mais cedo do que em episódios históricos como os de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016.
As projeções indicam que o fenômeno ainda deve ganhar força nos próximos três a quatro meses. A mediana dos modelos aponta para uma anomalia próxima ou superior a 4°C no pico, o que, se confirmado, superaria com ampla margem os principais eventos do século 20 e colocaria o El Niño de 2026 em um patamar excepcional.
A NOAA, agência de clima dos Estados Unidos, estima em 95% a probabilidade de um El Niño muito forte, embora utilize atualmente um índice ajustado pelo aquecimento global, que apresenta valores menores.
A intensidade do fenômeno preocupa pelos possíveis impactos sobre o clima em diferentes regiões do planeta. O El Niño altera a circulação atmosférica e pode favorecer extremos de chuva, seca e temperatura, com consequências para a agricultura, os recursos hídricos e o abastecimento.
A MetSul também destaca que episódios históricos excepcionalmente fortes, como o registrado entre 1789 e 1793, provocaram efeitos climáticos e sociais em diferentes continentes, incluindo impactos intensos na Índia e no Egito, onde secas contribuíram para fome e pressão social.
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