
A Justiça do Rio Grande do Sul tornou réus, nesta sexta-feira (28), os pais de Oliver Grayson, de 3 anos, que morreu após ser agredido em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
O pai, o missionário norte-americano D’Andre Grayson, de 33 anos, tornou-se réu por homicídio qualificado com dolo eventual e por quatro crimes de tortura, relacionados ao menino e a outros três filhos. A mãe, Mayanna Angelina Rodgers, responde por quatro crimes de tortura por omissão, relacionados às quatro crianças. Os dois estão presos preventivamente.
As denúncias contra Mayanna por homicídio foram arquivadas. Segundo o juiz Guilherme Pires Mitidiero, da 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri e de Execução Criminal da Comarca de Viamão, os possíveis crimes de tortura incluem fatos ocorridos em Santa Catarina e São Paulo.
De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), embora os crimes de tortura tenham ocorrido em diferentes cidades e estados, o julgamento cabe ao Juízo de Viamão, porque o homicídio ocorreu no município, conforme prevê o Código de Processo Penal.
A denúncia aponta que, entre o início de 2024 e julho de 2026, quatro crianças da família foram submetidas a sofrimentos físicos e psicológicos em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, culminando com a morte de Oliver em Viamão.
Segundo o Ministério Público, D’Andre teria agredido os filhos com socos, tapas, mordeduras e espancamentos com fios e cordas como forma de castigo. As quatro acusações de tortura possuem agravantes relacionados ao fato de as vítimas serem descendentes, menores de 12 anos e estarem inseridas no ambiente doméstico e familiar.
A mãe responde por tortura por omissão porque, conforme a investigação, tinha conhecimento das agressões, presenciava episódios de violência e não teria impedido os crimes ou comunicado os fatos às autoridades.
Segundo a denúncia, no dia 5 de julho, na residência da família, em Viamão, o pai teria agredido Oliver após se irritar porque a criança não lhe deu “bom dia”. Conforme o Ministério Público, ele teria desferido socos contra o menino e batido a cabeça da criança contra o piso, causando traumatismo cranioencefálico grave. Oliver morreu no dia 8 de julho.
O homicídio foi denunciado com as qualificadoras de motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além das circunstâncias de a vítima ser menor de 14 anos e descendente do denunciado.
O Ministério Público também pediu a perda do poder familiar em relação às crianças e a fixação de indenização mínima de R$ 50 mil por danos morais.
Segundo a Polícia Civil, as agressões contra os cinco filhos do casal, com idades entre 1 e 9 anos, teriam ocorrido de forma reiterada ao longo de aproximadamente nove anos.
A delegada Luana Medeiros, responsável pela investigação, informou que D’Andre foi indiciado pelo homicídio por ter praticado as agressões que provocaram a morte de Oliver. Mayanna também foi indiciada por homicídio por omissão e pelos crimes de tortura.
A investigação apontou ainda indícios de que a mãe teria participado de agressões contra os filhos e orientado as crianças a não mostrar o corpo e a não contar a outras pessoas sobre os episódios.
As quatro crianças sobreviventes foram retiradas da guarda dos pais e estão abrigadas.
O exame necroscópico de Oliver apontou como causa da morte um traumatismo cranioencefálico grave. A perícia também identificou múltiplas cicatrizes antigas no corpo do menino, que, segundo a investigação, seriam resultado de lesões anteriores.
A Polícia Civil afirmou ter identificado cicatrizes e mordeduras de diferentes idades nas crianças. Todas, com exceção do bebê de 1 ano, apresentavam diversas marcas no corpo, segundo a investigação.
A família já era acompanhada pelo Conselho Tutelar de Viamão havia cerca de oito meses, desde novembro de 2025. Segundo a Polícia Civil, também havia histórico anterior de acompanhamento e denúncias em outros estados, incluindo São Paulo e Santa Catarina.
A investigação não identificou elementos para responsabilizar criminalmente agentes da rede de proteção do município de Viamão. Segundo a Polícia Civil, não foi identificada atuação dolosa.
A defesa de D’Andre Grayson informou que apresentará, durante a instrução criminal, fatos e argumentos defensivos para garantir um julgamento justo ao denunciado.
A defesa de Mayanna Angelina Rodgers destacou que ela não foi denunciada pelo homicídio de Oliver e responde por quatro acusações de tortura por omissão relacionadas aos demais filhos. Os advogados afirmaram que concentrarão esforços na busca pela liberdade da acusada e ressaltaram as garantias do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal.
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