
A diretora e um vigia de uma creche municipal de Braço do Norte, no Sul de Santa Catarina, foram indiciados por abandono de incapaz após um bebê de 1 ano e 6 meses sair sozinho da unidade e caminhar pela rua até chegar ao trabalho da mãe. O indiciamento ocorreu na quarta-feira (30), segundo a Polícia Civil.
De acordo com a investigação, o indiciamento foi realizado na modalidade de dolo eventual, situação em que, conforme a Polícia Civil, há assunção do risco relacionado ao ocorrido.
O caso aconteceu na segunda-feira (25). O bebê percorreu cerca de 50 metros sozinho até chegar ao estabelecimento onde a mãe trabalhava. Imagens de câmeras de segurança registraram a criança caminhando pela calçada, próxima a uma via com circulação de carros, caminhões e tratores.
Nas imagens, o bebê aparece andando sozinho e, em determinado momento, tropeça e cai ao tentar subir no passeio. Depois, ele se levanta e continua caminhando.
Segundo a delegada Jéssica Borges, a creche possuía apenas um portão de acesso. A investigação também apontou que o vigia responsável pela unidade não estava no local onde deveria permanecer.
A delegada afirmou que foram consideradas tanto a ausência do vigia quanto a situação estrutural do portão, que vinha sendo mantido aberto.
Ao chegar ao trabalho da mãe, o bebê bateu na porta de vidro do estabelecimento. Uma funcionária percebeu que a criança estava sozinha, a pegou no colo e a levou para dentro, onde ela foi entregue à mãe.
Naiara Vieira relatou que havia deixado o filho na creche por volta das 7h20. Segundo ela, a criança deixou a unidade pouco depois das 8h45.
A mãe afirmou que o episódio poderia ter terminado em uma tragédia. Ainda conforme o relato, a creche estava em reforma e o único portão de acesso permanecia aberto. Ela também informou que o bebê estava no parque da unidade, próximo à portaria.
A criança não ficou ferida. Após o ocorrido, a mãe registrou um boletim de ocorrência e decidiu matricular o filho em outra creche.
A Secretaria Municipal de Educação e Desporto de Braço do Norte informou que foi solicitada a instauração de uma sindicância administrativa para apurar as circunstâncias do caso e verificar os procedimentos adotados pela unidade.
Segundo a pasta, estão sendo adotadas as providências administrativas e legais cabíveis. A secretaria também informou que, por envolver uma criança e se tratar de um procedimento em andamento, serão preservadas as informações pessoais e a identidade dos envolvidos.
O indiciamento é uma etapa formal da investigação policial que aponta uma pessoa como suspeita de um crime. Após essa fase, o procedimento é encaminhado ao Ministério Público, que avalia se deve ou não apresentar denúncia.
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