
A Justiça concedeu liberdade provisória a Mayanna Angelina Rodgers, de 29 anos, mãe de Oliver Grayson, de 3 anos, que morreu em julho. A decisão foi tomada pela 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri e de Execução Criminal da Comarca de Viamão, após pedido apresentado pela defesa. A soltura está condicionada ao cumprimento de medidas cautelares, incluindo monitoramento eletrônico.
Na decisão, o magistrado Guilherme Pires Mitidiero considerou as mudanças no cenário processual desde a decretação da prisão preventiva. O inquérito policial referente à imputação de homicídio doloso qualificado contra Mayanna foi arquivado. Ela responde por suposta conduta omissiva relacionada aos crimes de tortura.
Outro aspecto considerado foi o acolhimento dos filhos menores da acusada em uma instituição de proteção, com acompanhamento assistencial. Conforme o entendimento judicial, essa estrutura permite o controle da situação por meio de medidas cautelares menos restritivas do que a prisão.
Entre as determinações impostas à mãe estão o uso de tornozeleira eletrônica, o recolhimento domiciliar das 20h às 6h e nos dias de folga, além da proibição de aproximação e contato com os filhos. Mayanna também está impedida de deixar a comarca de Porto Alegre e o país. A decisão estabelece ainda a entrega do passaporte em cartório no prazo de 24 horas após a soltura, a manutenção do endereço atualizado e o comparecimento aos atos processuais.
Manifestações das defesas
Após a decisão, os advogados de Mayanna, Isabel Cochlar, Juliana Braun Martins e André von Berg, divulgaram uma nota afirmando que a cliente não responde por homicídio e que continuará à disposição da Justiça.
Os representantes sustentaram que o arquivamento da imputação de homicídio e a avaliação judicial sobre as medidas cautelares justificam a revogação da prisão preventiva. Também afirmaram que Mayanna pretende colaborar com o processo e demonstrar sua inocência.
A defesa de D’Andre Grayson, formada pelos advogados Ismael Schmitt e Jader Santos, também se manifestou. Os representantes informaram que receberam a decisão com serenidade, mas lamentaram que Mayanna permaneça impedida de conviver com os filhos. A defesa declarou esperar que o vínculo materno seja restabelecido e afirmou que apresentará fatos, provas e argumentos para buscar um julgamento justo para o pai da criança.
Relembre o caso
Conforme a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), D’Andre Jermaine Grayson, pai de Oliver e missionário norte-americano, teria agredido o menino após se irritar porque a criança não lhe deu bom dia. Segundo a acusação, ele teria desferido socos contra o filho e batido a cabeça da criança contra o piso, provocando traumatismo cranioencefálico grave.
Oliver morreu em 8 de julho. O pai foi denunciado por homicídio com qualificadoras relacionadas a motivo fútil, meio cruel e recurso que teria dificultado a defesa da vítima, além das circunstâncias de a criança ter menos de 14 anos e ser descendente do acusado.
O MPRS também denunciou quatro imputações de tortura relacionadas a episódios que teriam ocorrido entre o início de 2024 e julho de 2026, envolvendo quatro crianças da família em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Conforme a denúncia, as vítimas teriam sofrido agressões físicas e psicológicas, incluindo socos, tapas, mordeduras e espancamentos com fios e cordas.
Mayanna responde por suposta omissão diante das agressões. Segundo a investigação citada na denúncia, ela teria conhecimento dos episódios de violência e deixado de impedir os crimes ou comunicá-los às autoridades. Ela não foi denunciada pelo homicídio de Oliver.
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