
A Polícia Civil indiciou nesta terça-feira (11) D’andre Grayson e Mayanna Angelina Rodgers, pais de Oliver Grayson, de 3 anos, morto após ser espancado em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Segundo a investigação, os dois foram indiciados pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e tortura majorada por cinco vezes. O casal está preso preventivamente.
De acordo com a delegada Luana Medeiros, responsável pela investigação, D’andre foi indiciado pelo homicídio por ter praticado as agressões que provocaram a morte do menino. Mayanna responderá por homicídio por omissão, segundo a Polícia Civil. Os dois também foram indiciados pelas cinco torturas, uma relacionada a cada um dos filhos.
A investigação aponta que as agressões contra os cinco filhos do casal, com idades entre 1 e 9 anos, ocorreram de forma reiterada ao longo de aproximadamente nove anos. Segundo a perícia, quatro das crianças apresentavam diversas marcas no corpo, como cicatrizes e mordeduras de diferentes idades. O bebê de 1 ano não apresentava essas marcas.
A Polícia Civil também afirma ter identificado indícios de que Mayanna orientava os filhos a esconder as marcas e a não contar a outras pessoas sobre as agressões. As quatro crianças sobreviventes foram retiradas da guarda dos pais e estão abrigadas.
O caso começou a ser investigado após Oliver sofrer lesões graves no dia 5 de julho. Segundo o inquérito, o menino teria sido agredido pelo pai porque não teria dado “bom dia” a ele. D’andre teria dado socos na criança e batido a cabeça dela contra o chão.
O pai foi preso em flagrante no mesmo dia e, no dia seguinte, a prisão foi convertida em preventiva. Oliver morreu no dia 8 de julho. O exame necroscópico apontou como causa da morte um traumatismo cranioencefálico grave.
A perícia também identificou múltiplas cicatrizes antigas no corpo do menino. Segundo a investigação, essas marcas seriam resultado de lesões anteriores e não teriam relação direta com a agressão que provocou a morte.
A Polícia Civil concluiu ainda que Mayanna deve responder pelo homicídio por omissão. Segundo o inquérito, ela estava em um quarto ao lado no momento das agressões e, conforme os investigadores, teria condições de ouvir o que acontecia e não teria tomado nenhuma atitude para impedir a violência.
A investigação não identificou elementos para responsabilizar criminalmente agentes da rede de proteção do município de Viamão. Segundo a Polícia Civil, não foi identificada atuação dolosa, condição exigida pelo Direito Penal para a configuração de crime. A família já era acompanhada pelo Conselho Tutelar de Viamão havia cerca de oito meses, desde novembro de 2025.
O inquérito também aponta que D’andre teria cometido violência doméstica e familiar contra Mayanna. Essa investigação foi desmembrada por determinação judicial e será analisada em outro procedimento, no qual o homem foi indiciado, segundo a Polícia Civil, por injúria, vias de fato, violência psicológica e estupro.
A defesa de D’andre, formada pelos advogados Ismael Schmitt e Jader Santos, afirmou que o inquérito é extenso e que necessita de análise técnica e pormenorizada. Os defensores manifestaram discordância do indiciamento e disseram confiar na análise do Ministério Público. A defesa de Mayanna não havia retornado até a última atualização da reportagem.
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