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Rio Grande do Sul pode perder 94% das famílias produtoras de leite até 2051

Estudo aponta forte redução de produtores de leite no Estado até 2051.

08/09/2026 às 13h33
Por: Redação Fonte: Rádio Navegantes; dados apresentados pela Emater/RS, IBGE, Embrapa/CILeite e estudo do pesquisador Wagner Beskow, da Transpondo
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Foto: Gerada por IA — ilustrativa
Foto: Gerada por IA — ilustrativa

O Rio Grande do Sul pode registrar uma redução de 94% no número de famílias que produzem leite comercialmente até 2051, caso o ritmo de abandono da atividade observado na última década permaneça pelos próximos 25 anos.

Entre 2015 e 2025, mais de 55 mil produtores de leite deixaram a atividade no Estado. Atualmente, são cerca de 29 mil famílias produzindo leite comercialmente. Com base em levantamentos da Emater/RS, um estudo realizado pelo pesquisador Wagner Beskow, sócio da consultoria Transpondo, aponta que esse número poderia cair para menos de 1,7 mil famílias em 2051.

A projeção não representa uma previsão exata. Segundo Beskow, a estimativa considera a manutenção de condições conjunturais semelhantes às atuais, incluindo fatores como câmbio e volumes de exportação e importação. O pesquisador ressaltou que a intenção não é apontar um número definitivo, mas demonstrar a tendência observada.

A redução da atividade leiteira no Rio Grande do Sul acompanha um movimento registrado também no Brasil. Dados do Censo Agropecuário do IBGE mostram que o número de propriedades produtoras de leite no país caiu de 874,5 mil em 2006 para 634,5 mil em 2017.

Estimativas do Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa, indicam que o Brasil tinha aproximadamente 513 mil propriedades produtoras de leite em 2025. Em quase duas décadas, a redução chega a 41,3%.

Motivos para o abandono da atividade

Para identificar os fatores que levam as famílias a deixar a produção comercial de leite, a Emater/RS realizou um estudo em 385 municípios gaúchos, envolvendo 571 famílias que abandonaram a atividade e migraram para outras ocupações.

O levantamento foi apresentado durante a 49ª Expointer, em Esteio, cuja edição foi encerrada neste domingo.

De acordo com os resultados, a decisão de abandonar a produção normalmente envolve uma combinação de fatores dentro das propriedades.

Entre os principais fatores internos apontados pelas famílias estão a penosidade da atividade, citada por 66,4% dos entrevistados; a falta de mão de obra familiar, mencionada por 61,3%; e o desinteresse dos filhos pela continuidade da produção, apontado por 37,8%.

Os dados apresentados destacam desafios relacionados às condições de trabalho, à disponibilidade de mão de obra e à sucessão familiar na atividade leiteira.

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