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Enchente reduz malha ferroviária do RS e amplia desafios logísticos

Malha ferroviária em operação no RS caiu para 921 quilômetros após a enchente de 2024.

17/09/2026 às 17h32
Por: Redação Fonte: Jonas Campos, RBS TV
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Foto: Meramente ilustrativa
Foto: Meramente ilustrativa

A destruição de trechos da malha ferroviária durante a enchente de 2024 agravou os problemas de infraestrutura e logística do Rio Grande do Sul. Em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, locomotivas permanecem paradas há mais de dois anos, após a interrupção de conexões utilizadas para o transporte de combustíveis e fertilizantes.

Dados do setor apontam que a extensão ferroviária em operação no estado passou de 1.952 quilômetros em 2016 para 921 quilômetros atualmente. Antes da enchente, eram 1.680 quilômetros em funcionamento. Um dos principais trechos ainda ativos liga Cruz Alta ao Porto de Rio Grande, com importância para o transporte da produção de grãos.

Atualmente, o Rio Grande do Sul está praticamente desconectado do restante do país por ferrovias. Segundo informações apresentadas pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), não há composição partindo do estado em direção a centros consumidores como São Paulo. A entidade relaciona a deficiência logística aos desafios de competitividade diante das mudanças tributárias previstas.

O vice-presidente da Fiergs, Ricardo Portella, afirmou que a infraestrutura logística será necessária para manter a capacidade de competição dos produtos gaúchos nos mercados consumidores.

A discussão sobre a malha ferroviária ganhou força após o governo federal apresentar um novo modelo de concessão ferroviária, que recebeu críticas dos três estados da região Sul. Em resposta, o Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) lançaram uma licitação para contratar uma consultoria técnica.

O estudo deverá elaborar um diagnóstico da Malha Sul e apresentar alternativas para reconstrução e expansão. A previsão é de que o contrato seja assinado até o final de setembro, com prazo de dez meses para a conclusão. Segundo o diretor de Planejamento do BRDE, Leonardo Busatto, a proposta considera a ampliação da malha para diferentes regiões do Rio Grande do Sul, para o Porto de Rio Grande, para o Oeste de Santa Catarina, portos catarinenses e outras áreas do país.

Para o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e PHD em transportes Luiz Afonso Senna, a redução do transporte ferroviário aumenta os custos logísticos e afeta a competitividade. Ele defende a integração entre os diferentes modais de transporte.

As rodovias também enfrentam dificuldades. Na BR-290, uma das principais ligações do estado com outras regiões do país, seguem as obras de duplicação entre Eldorado do Sul e Pantano Grande. Conforme o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o projeto possui 115,7 quilômetros de extensão e investimento previsto de R$ 1,4 bilhão. As obras são divididas em quatro lotes e enfrentaram atrasos após a enchente.

Na BR-470, entre Veranópolis e Bento Gonçalves, e na BR-116, entre Nova Petrópolis e Caxias do Sul, os investimentos para reconstrução dos danos causados pelo clima ultrapassam R$ 700 milhões. Representantes da indústria estimam perdas entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões em logística e instalações empresariais provocadas pelas inundações.

Outro projeto citado é a ERS-010, planejada para ligar a Freeway à ERS-239. Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs), Delmar Albarello, a rodovia teria 42,4 quilômetros e passaria por áreas de Canoas, São Leopoldo, Sapucaia, Esteio e Campo Bom.

Diante das limitações nos modais ferroviário e rodoviário, as hidrovias aparecem como outra alternativa para o transporte de cargas. A Portos RS informa que o estado possui 375 quilômetros de canais navegáveis sob sua gestão. O setor defende investimentos em dragagem para recuperar e ampliar a capacidade de navegação.

Em Guaíba, uma indústria de celulose utiliza a hidrovia para transportar cerca de 95% da produção destinada ao Porto de Rio Grande. Uma barcaça transporta 4,3 mil toneladas de celulose por viagem, volume equivalente ao carregamento de aproximadamente 140 caminhões. A empresa também utiliza logística reversa para transportar matéria-prima no retorno.

Os problemas de infraestrutura também atingem pequenos negócios. Em Eldorado do Sul, um laticínio utiliza estradas de chão para realizar a coleta de leite. Segundo os proprietários, as condições das vias aumentam o desgaste dos veículos e os custos de manutenção.

A empresa teve a produção interrompida por 45 dias durante a enchente. Após a retomada, passou a comercializar iogurtes em São Paulo, mas os custos de transporte continuam sendo um desafio. De acordo com os proprietários, o frete de alimentos resfriados para São Paulo varia entre R$ 500 e R$ 1 mil.

Para Luiz Afonso Senna, a integração entre rodovias, ferrovias e hidrovias é necessária para melhorar a logística. O especialista também citou diferenças nas condições e na extensão de rodovias duplicadas entre o Rio Grande do Sul e São Paulo.

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