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Polícia conclui inquérito e indicia sete PMs por morte de agricultor em Pelotas

Polícia Civil indiciou sete PMs pela morte de agricultor em Pelotas.

09/09/2026 às 19h26
Por: Redação Fonte: Matheus Goulart, Madu Brito, RBS TV e g1 RS
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Foto: Reprodução/RBS TV
Foto: Reprodução/RBS TV

A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigou a morte do agricultor Marcos Nörnberg e a tentativa de homicídio contra a esposa dele, ocorridas na zona rural de Pelotas, na Região Sul do Rio Grande do Sul, em janeiro deste ano. Nesta quarta-feira (9), sete policiais militares foram indiciados pelos crimes.

Quatro dos indiciados são dois soldados e dois sargentos da Brigada Militar, apontados como coautores dos crimes investigados. Outros três policiais ligados ao setor de inteligência foram indiciados como partícipes. Segundo a investigação, eles receberam informações que deram origem à operação e teriam se equivocado em mais de dois quilômetros na identificação do endereço que seria alvo da ação. As patentes desses três policiais não foram informadas. Os nomes dos agentes não foram divulgados.

A investigação analisou a atuação de 24 policiais militares, desde o comandante da unidade até os soldados envolvidos na ocorrência. Também foi examinada a justificativa apresentada pelos agentes para a entrada no imóvel.

Segundo os policiais, Marcos teria efetuado disparos, o que teria provocado a reação da equipe em uma situação de legítima defesa. Entretanto, a perícia técnica contestou essa versão.

O laudo do Instituto-Geral de Perícias (IGP), elaborado após a reprodução simulada dos fatos e análise acústica, apontou que o primeiro disparo registrado naquela noite foi de um fuzil, arma utilizada pelos policiais militares.

Ainda conforme a investigação, foram identificados 14 disparos de fuzil antes da constatação de um tiro de carabina, arma atribuída a Marcos. Esse disparo ocorreu 28 segundos após o primeiro tiro de fuzil.

Com base nos elementos reunidos no inquérito, a Polícia Civil afastou a hipótese de legítima defesa apresentada pelos policiais e entendeu que houve homicídio doloso na modalidade de dolo eventual, quando se assume o risco de produzir o resultado.

Imagens de uma câmera de monitoramento obtidas pela RBS TV registraram a ação. No áudio captado, é possível ouvir ao menos 18 tiros. Posteriormente, uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou ao local.

O caso aconteceu na madrugada de 15 de janeiro. Conforme relato da esposa da vítima, o casal estava dormindo quando percebeu movimentação no pátio da propriedade, localizada na Estrada da Cascata. Marcos teria saído para verificar a situação e, em seguida, ela ouviu gritos e disparos. O agricultor morreu no local.

A Polícia Civil confirmou que a ocorrência envolveu uma ação da Brigada Militar, que buscava uma quadrilha da região. Na época, o comandante-geral da Brigada Militar, Cláudio Feoli, admitiu que houve um "grande equívoco" na ação.

Segundo a explicação apresentada por Feoli, dois integrantes do grupo criminoso procurado em Pelotas haviam sido presos no Paraná e fornecido informações sobre a localização dos demais suspeitos. A indicação, porém, teria levado os policiais ao endereço errado.

O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário.

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