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MP denuncia ex-padrasto pela morte de adolescente de 14 anos em Encantado

MP denuncia ex-padrasto pela morte de adolescente de 14 anos em Encantado

09/09/2026 às 19h27
Por: Redação Fonte: Diego Nuñez, g1 RS
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Foto: Reprodução/Redes sociais
Foto: Reprodução/Redes sociais

O Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou Wagno Arezi Henika pela morte da adolescente Alice Nitz, de 14 anos. A decisão foi divulgada na tarde desta quarta-feira (9). O investigado confessou ter matado a enteada.

Segundo o MP, Alice convivia com o ex-padrasto desde a infância. Wagno manteve relacionamento com a mãe da adolescente durante 13 anos, e os dois estavam separados havia cerca de um mês quando ocorreu o crime.

A denúncia aponta que a adolescente foi morta após um desentendimento relacionado a questões financeiras. O Ministério Público denunciou o investigado por feminicídio, sustentando que o crime ocorreu em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher, por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.

Conforme o promotor de Justiça Heráclito Mota Barreto Neto, após a discussão, o denunciado atacou Alice com golpes de martelo e, posteriormente, utilizou uma faca, provocando a morte da adolescente ainda no local. O MP afirma que a jovem estava desarmada, em ambiente fechado e sem possibilidade de defesa eficaz.

Após o crime, conforme a investigação, Wagno teria comunicado a familiares que havia matado a adolescente e deixado o local antes da chegada da Brigada Militar.

O Ministério Público também pede que o denunciado seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri e requer a fixação de um valor mínimo para reparação dos danos causados aos familiares da vítima.

Em manifestação, o promotor Heráclito Mota Barreto Neto afirmou que a denúncia foi apresentada com base nos elementos reunidos durante a investigação e que o MP continuará acompanhando o processo judicial.

Wagno foi preso preventivamente em agosto, na própria residência, localizada no bairro Jardim do Trabalhador.

O que diz a defesa

O advogado Márcio Arcari, que representa Wagno Arezi Henika, afirmou durante as apurações policiais que o cliente é réu confesso e está colaborando com as investigações. A defesa também destacou os direitos constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, além de afirmar que réu e defesa estão cooperando com a Justiça.

O g1 informou ter procurado a defesa em busca de posicionamento sobre a denúncia.

Quem era Alice

Alice era estudante da Escola Estadual de Ensino Fundamental Jardim do Trabalhador desde a educação infantil. Segundo a vice-diretora Karina Belotti Cenci, a adolescente era lembrada pela comunidade escolar como uma jovem inteligente e talentosa, com forte ligação com as artes.

Ela declamava poesias e integrava o grupo de dança tradicionalista Oigalê, da própria instituição. A paixão pela cultura gaúcha também era compartilhada com os três irmãos, que passaram pelo projeto.

Alice também jogava futsal pelo Fênix FC Futsal Feminino. Nas redes sociais, o clube publicou uma mensagem de solidariedade após a morte da adolescente.

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