
O Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou Wagno Arezi Henika pela morte da adolescente Alice Nitz, de 14 anos. A decisão foi divulgada na tarde desta quarta-feira (9). O investigado confessou ter matado a enteada.
Segundo o MP, Alice convivia com o ex-padrasto desde a infância. Wagno manteve relacionamento com a mãe da adolescente durante 13 anos, e os dois estavam separados havia cerca de um mês quando ocorreu o crime.
A denúncia aponta que a adolescente foi morta após um desentendimento relacionado a questões financeiras. O Ministério Público denunciou o investigado por feminicídio, sustentando que o crime ocorreu em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher, por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.
Conforme o promotor de Justiça Heráclito Mota Barreto Neto, após a discussão, o denunciado atacou Alice com golpes de martelo e, posteriormente, utilizou uma faca, provocando a morte da adolescente ainda no local. O MP afirma que a jovem estava desarmada, em ambiente fechado e sem possibilidade de defesa eficaz.
Após o crime, conforme a investigação, Wagno teria comunicado a familiares que havia matado a adolescente e deixado o local antes da chegada da Brigada Militar.
O Ministério Público também pede que o denunciado seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri e requer a fixação de um valor mínimo para reparação dos danos causados aos familiares da vítima.
Em manifestação, o promotor Heráclito Mota Barreto Neto afirmou que a denúncia foi apresentada com base nos elementos reunidos durante a investigação e que o MP continuará acompanhando o processo judicial.
Wagno foi preso preventivamente em agosto, na própria residência, localizada no bairro Jardim do Trabalhador.
O advogado Márcio Arcari, que representa Wagno Arezi Henika, afirmou durante as apurações policiais que o cliente é réu confesso e está colaborando com as investigações. A defesa também destacou os direitos constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, além de afirmar que réu e defesa estão cooperando com a Justiça.
O g1 informou ter procurado a defesa em busca de posicionamento sobre a denúncia.
Alice era estudante da Escola Estadual de Ensino Fundamental Jardim do Trabalhador desde a educação infantil. Segundo a vice-diretora Karina Belotti Cenci, a adolescente era lembrada pela comunidade escolar como uma jovem inteligente e talentosa, com forte ligação com as artes.
Ela declamava poesias e integrava o grupo de dança tradicionalista Oigalê, da própria instituição. A paixão pela cultura gaúcha também era compartilhada com os três irmãos, que passaram pelo projeto.
Alice também jogava futsal pelo Fênix FC Futsal Feminino. Nas redes sociais, o clube publicou uma mensagem de solidariedade após a morte da adolescente.
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