
O Rio Grande do Sul poderá exportar até 4 mil toneladas de miúdos de suínos por mês para a China após a assinatura do protocolo que ampliou a autorização para comercialização desses produtos brasileiros no mercado chinês.
Segundo o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do RS (Sips), Rogério Kerber, o novo fluxo tem potencial para movimentar entre US$ 100 milhões e US$ 120 milhões por ano na economia gaúcha. Entre os produtos estão coração, rim e estômago.
Com a autorização, o próximo passo é a formalização dos contratos para viabilizar os embarques. O Rio Grande do Sul possui oito frigoríficos habilitados para o mercado chinês, localizados em Lajeado, Santo Ângelo, Santa Rosa, São Luiz Gonzaga, Três Passos, Sarandi, Seberi e Caxias do Sul.
O Estado também já atende ao requisito chinês relacionado à não utilização do princípio ativo ractopamina. Na semana anterior à declaração de Kerber, uma missão chinesa esteve no Brasil e visitou uma planta em Santo Ângelo para conhecer as condições de produção.
De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a ampliação do mercado também cria oportunidades para a exportação de carne suína com osso. O presidente da entidade, Ricardo Santin, afirmou que a movimentação pode representar mais de US$ 100 milhões adicionais para o setor brasileiro.
Após a revisão do protocolo sanitário bilateral, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou que a medida amplia o acesso da produção brasileira ao mercado chinês e pode gerar mais renda e empregos no campo e na indústria.
O embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, também destacou os esforços conjuntos entre os dois países e o potencial da cooperação agropecuária.
Atualmente, alguns tipos de miúdos, como pés, orelhas, rabo, língua, focinho e máscara suína, já são autorizados para exportação à China. A ampliação passa a incluir produtos como músculo, banha não refinada, língua e cartilagem.
Em maio de 2025, o Brasil foi reconhecido como país livre de febre aftosa sem vacinação. A ampliação do acesso ao mercado chinês permite direcionar produtos a um mercado de maior valor agregado, aumentando as possibilidades de receita para a cadeia produtiva.
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