
A adolescente Alice Nitz, morta a facadas na segunda-feira (17), mantinha vínculo próximo com o ex-padrasto Wagno Arezi Henika, que confessou o assassinato e foi preso preventivamente na noite de terça-feira (18).
Segundo a investigação, Alice tratava Wagno como pai. Ele iniciou um relacionamento com a mãe da adolescente quando ela tinha um ano de idade e permaneceu como figura paterna durante 13 anos. Mesmo após a separação do casal, ocorrida há cerca de um mês, os dois continuaram se encontrando.
De acordo com a Polícia Civil, testemunhas relataram que o homem exercia uma posição de controle sobre a adolescente e era considerado rígido, em comportamento que, segundo os depoimentos, “beirava a violência psicológica”.
A residência de Wagno ficava no mesmo bairro onde Alice morava, a aproximadamente três quadras de distância. Conforme a delegada Dieli Caumo, responsável pelo caso, não era incomum que a adolescente frequentasse o imóvel mesmo após a separação entre o ex-padrasto e a mãe.
Em depoimento, Wagno declarou à polícia que matou Alice porque “perdeu a cabeça” durante uma discussão. As circunstâncias do conflito ainda são apuradas.
A investigação aponta que não havia registros anteriores de violência envolvendo o investigado. Segundo a delegada, não existia medida protetiva ou ocorrência, e a mãe da adolescente não relatava ameaças ou episódios de violência.
Inicialmente, a Polícia Civil levantou a hipótese de que o crime pudesse ter sido cometido com o objetivo de atingir a ex-companheira de Wagno, possibilidade que caracterizaria o chamado vicaricídio. Após ouvir testemunhas, porém, a investigação concluiu que não havia elementos que apontassem para essa motivação.
O caso é tratado como feminicídio. A expectativa da Polícia Civil é concluir o inquérito na próxima semana.
Em nota, o advogado Márcio Arcari, que representa Wagno Arezi Henika, afirmou que o cliente é réu confesso e está colaborando com as investigações para esclarecer os motivos e as circunstâncias do crime. A defesa também destacou as garantias constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal.
Alice era estudante da Escola Estadual de Ensino Fundamental Jardim do Trabalhador desde a educação infantil. Segundo a vice-diretora Karina Belotti Cenci, era considerada uma jovem inteligente e talentosa, com forte ligação com as artes.
A adolescente declamava poesias e integrava o grupo de dança tradicionalista Oigalê, da instituição. Ela também jogava futsal pelo Fênix FC Futsal Feminino.
Nas redes sociais, o clube manifestou solidariedade pela morte da atleta e amiga.
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