
A terceira e última audiência de instrução do processo que apura a morte de Brasília Costa foi realizada nesta segunda-feira (31), no Foro Central de Porto Alegre. O principal investigado, Ricardo Jardim, de 66 anos, optou por não ser interrogado e informou por escrito que não queria se manifestar neste momento.
Jardim está preso preventivamente desde 4 de setembro de 2025 e é acusado de matar a companheira, desmembrar o corpo e descartar as partes em diferentes pontos de Porto Alegre.
O caso ganhou repercussão em agosto de 2025, quando uma mala contendo o tórax da vítima foi deixada em um guarda-volumes da Rodoviária de Porto Alegre. Outras partes do corpo foram encontradas em diferentes locais da capital. A cabeça de Brasília Costa ainda não foi localizada.
Segundo a denúncia, Ricardo Jardim e Brasília Costa viviam juntos em uma pensão na Zona Norte de Porto Alegre. Exames periciais, por meio de testes de DNA, confirmaram que os restos mortais encontrados pertenciam à vítima.
Além da acusação de feminicídio no contexto de violência doméstica, com agravantes relacionados à idade da vítima e à dificuldade de defesa, Jardim também responde por vilipêndio de cadáver, ocultação de cadáver, falsa identidade, falsificação e uso de documentos falsos, invasão de dispositivo informático e furto.
A denúncia foi recebida pela Justiça em 3 de novembro de 2025. Desde então, foram realizadas diligências processuais e outras duas audiências de instrução, em março deste ano.
Na audiência desta segunda-feira, também prestou depoimento, por videoconferência, um inspetor da Polícia Civil responsável pela análise das imagens da pousada onde o casal morava e onde, segundo a investigação, o crime teria ocorrido. Conforme o relato, o último registro de Brasília nas câmeras da pousada foi identificado na manhã de 8 de agosto de 2025, data apontada pelo inquérito como o dia da morte.
A investigação começou após o torso da vítima ser encontrado dentro de uma mala em um armário da rodoviária da capital, em agosto de 2025. O primeiro descarte de partes do corpo ocorreu em 13 de agosto, em um local ermo da Zona Leste. Em 20 de agosto, outro descarte foi registrado na rodoviária. As pernas foram encontradas em dois trechos diferentes da Zona Sul.
O suspeito foi identificado a partir de imagens de uma câmera de segurança de um estabelecimento comercial. Em determinado momento da gravação, ele aparece abaixando a máscara que usava e que também aparecia vestindo no vídeo registrado na rodoviária.
Jardim havia sido indiciado pela Polícia Civil no fim de outubro por sete crimes. O Ministério Público do Rio Grande do Sul acrescentou à denúncia o crime de vilipêndio de cadáver. Em 2018, ele foi condenado a 28 anos de prisão por matar e concretar a própria mãe.
Com o encerramento da fase de instrução, acusação e defesa terão dez dias cada para apresentar as alegações finais por escrito. Depois disso, o processo ficará pronto para a decisão sobre se o réu será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Ao g1, a Defensoria Pública informou que irá se manifestar apenas no processo.
O velório de Brasília Costa ocorreu somente em janeiro de 2026, no Cemitério Municipal de Jaguarão, no Sul do Rio Grande do Sul, cidade onde ela morou durante a infância e a juventude.
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