
Uma infestação de pulgas obrigou o Hospital Regional de Ciudad del Este, no Paraguai, a interditar temporariamente a ala de Neonatologia e transferir os cinco bebês que estavam internados no local. O caso foi registrado nesta segunda-feira (31).
A presença de grande quantidade de pulgas levou ao bloqueio do setor para a realização de fumigação e desinfecção completa. Os cinco recém-nascidos foram transferidos temporariamente para a enfermaria 3 da área de cirurgia geral. Informações divulgadas nesta terça-feira indicaram que o setor permanecia fechado após novos registros de pulgas durante os trabalhos de desinfecção.
O episódio ocorre em meio a denúncias sobre as condições estruturais do hospital. Médicos relataram infiltrações, goteiras, umidade, banheiros deteriorados, problemas na rede de esgoto e presença de roedores em áreas da unidade.
Segundo a médica Lea Acevedo, um cano da rede de esgoto teria se rompido recentemente, provocando mau cheiro em diferentes setores do hospital. Profissionais também afirmam que problemas estruturais atingem áreas de internação e centros cirúrgicos.
A situação ganhou repercussão durante a paralisação nacional dos médicos paraguaios, que cobram melhores salários e condições de trabalho.
Além dos problemas estruturais, o hospital enfrenta uma crise no quadro de especialistas. Nesta segunda-feira, 12 dos 13 médicos que integram a Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica apresentaram renúncia. Caso as saídas sejam efetivadas após o período de aviso, o setor poderá ficar com apenas um especialista.
Segundo a direção do hospital, entre os profissionais que decidiram deixar os cargos também estão cinco cirurgiões pediátricos. O único médico emergencista pediátrico da unidade e da região também teria comunicado a intenção de apresentar a renúncia.
Os profissionais afirmam que a decisão foi tomada após uma greve nacional de cinco dias e a falta de acordo com o governo sobre as reivindicações da categoria.
Lea Acevedo classificou a situação da saúde pública como crítica e afirmou que também existem dificuldades para conseguir medicamentos e materiais necessários aos pacientes. Segundo ela, familiares frequentemente precisam comprar itens que não estão disponíveis no hospital.
O Ministério da Saúde Pública e Bem-Estar Social do Paraguai havia informado em maio que destinou medicamentos e insumos avaliados em mais de 2,2 bilhões de guaranis aos serviços de saúde de Alto Paraná. Parte do material foi encaminhada ao Hospital Regional de Ciudad del Este.
Até a publicação desta reportagem, não foi localizada uma manifestação oficial do Ministério da Saúde especificamente sobre a infestação de pulgas e a interdição da ala neonatal.
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