
A condenação do ex-companheiro de Késsia de Souza Veiga, de 19 anos, trouxe novamente à tona o relato feito pela jovem após o ataque sofrido em outubro de 2025. Em uma publicação nas redes sociais realizada na época do crime, Késsia escreveu: “O que aconteceu comigo, eu não desejo nem a ele”.
Nesta sexta-feira, dia 18, o homem foi condenado a 60 anos, cinco meses e seis dias de prisão, em regime fechado, durante julgamento realizado em Rio Negrinho, no Norte de Santa Catarina.
O ataque aconteceu em 24 de outubro de 2025, dentro do supermercado onde Késsia trabalhava. Segundo as informações apresentadas no processo, o homem foi até o local após o fim do relacionamento, armado com um facão e duas facas, e passou a golpeá-la.
A jovem sofreu ferimentos graves, incluindo fraturas no crânio e a amputação parcial da mão direita. Posteriormente, precisou passar por uma cirurgia para amputação do antebraço.
Na época, Késsia publicou uma fotografia da outra mão, que também havia sido ferida durante o ataque, acompanhada de um relato sobre os momentos vividos. Ela contou que tentou fugir quando ouviu o próprio nome, mas caiu duas vezes. Na segunda queda, foi atacada pelo ex-companheiro.
“Me arrastei até a calçada, e naquele momento senti como se fosse o último da minha vida. Senti que era o meu fim. Nem consegui orar…”, relatou.
Segundo Késsia, durante os golpes, ela não conseguia compreender a dimensão da violência que estava sofrendo. A jovem também afirmou que sua visão começou a ficar embaçada antes que o agressor parasse de atacá-la.
Após a chegada dos agentes, Késsia permaneceu consciente e conseguiu prestar depoimento à polícia.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina, duas pessoas que tentaram impedir a agressão também foram atacadas. Uma funcionária do supermercado sofreu um corte profundo no rosto. Outro funcionário foi atingido por golpes na cabeça, no pescoço e nos braços.
O homem, de 23 anos, foi denunciado por tentativa de feminicídio contra Késsia e por duas tentativas de homicídio.
Durante o julgamento, os jurados reconheceram os crimes e as qualificadoras apresentadas pela Promotoria. A tentativa de feminicídio foi considerada qualificada por diferentes circunstâncias, entre elas motivo fútil e torpe, uso de meio cruel, dificuldade de defesa da vítima e emprego de dissimulação e surpresa.
As duas tentativas de homicídio também tiveram qualificadoras reconhecidas. A pena total foi estabelecida em 60 anos, cinco meses e seis dias de reclusão, em regime fechado.
Além da prisão, a Justiça determinou o pagamento de R$ 80 mil a Késsia e R$ 60 mil para cada uma das outras duas vítimas, como valor mínimo para reparação pelos danos causados pelo crime.
A decisão manteve o homem preso e negou o direito de recorrer em liberdade. Também foi determinada a execução provisória da pena, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre condenações determinadas pelo Tribunal do Júri.
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