
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo de dados de pagamentos relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso em Brasília, e ao Banco Master. Com a decisão, tornou-se público um relatório de inteligência financeira.
Durante as investigações, a Polícia Federal (PF) havia solicitado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) relatórios de inteligência financeira vinculados a pessoas físicas e jurídicas relacionadas à apuração.
O RIF é um documento técnico elaborado pelo Coaf a partir de alertas encaminhados por bancos, seguradoras e outras instituições obrigadas por lei. O relatório reúne informações sobre movimentações financeiras consideradas atípicas ou suspeitas, incluindo valores globais, envolvidos e possíveis indícios de crimes, como lavagem de dinheiro.
O STF já havia tornado públicos 53 procedimentos de apuração relacionados ao caso Master. A retirada do sigilo ocorreu após solicitação do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente à medida, após pedido feito pelo ministro Alexandre de Moraes no domingo (13). Moraes solicitou a Fachin o levantamento do sigilo antes do julgamento marcado para esta terça-feira (15), que deverá discutir se a Corte deve apurar a relação dele com o banqueiro.
A manifestação da PGR foi assinada pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateabriand Filho. Segundo ele, a instituição não havia se manifestado anteriormente sobre a retirada do sigilo porque não tinha conhecimento da existência do documento.
Está previsto para esta terça-feira (15) o julgamento no STF sobre mensagens reveladas pela PF entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
Na semana passada, Fachin convocou uma sessão do plenário para discutir o relatório produzido pela Polícia Federal, que apontou uma suposta relação entre o ministro e o ex-banqueiro preso.
A PGR também já havia se manifestado pela possibilidade de arquivamento do relatório produzido por Mendonça, sob o argumento de que sua elaboração teria ocorrido de forma irregular. Conforme a manifestação, a determinação ocorreu dentro das investigações do caso Master, sem comunicação prévia à Presidência, sem submissão ao plenário e com suposto direcionamento.
Durante as investigações, a PF localizou 52 mensagens trocadas entre 21 de dezembro de 2023 e 17 de novembro de 2025, data da primeira prisão de Daniel Vorcaro.
Segundo o relatório da PF, o ministro teria atuado diretamente na análise e edição de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, de Viviane Barci, esposa do ministro.
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